Eu gosto de ter opiniões fortes sobre o que me mais me interessa, e não sou daquelas pessoas que acham que os opinadores devem estar divididos por escalões e que só os grandes diplomados têm direito a dizer de sua justiça. Pelo contrário, renegar o nosso direito à opinião puramente pela falta de formação académica na área é totalmente descabido. Portanto, quando vejo uma peça de teatro, um filme, um programa televisivo, um concerto ou um desfile de moda gosto de dar a minha opinião e ser francamente crítica.
Já tinha assistido a uma ante-estreia de uma peça de teatro uma vez e foi uma experiência agonizante. A sala encheu-se de amigos deste e conhecidos daquele que riam histéricamente a cada 2 minutos e, francamente, passado meia-hora já mal sabia em que teatro estava e que peça é que estava ver. Eu sei que sou um pouco neurótica, mas não estou a exagerar.
No entanto, mal grado essa primeira experiência, decidi aceitar o convite de uma amiga e ir à ante-estreia de A Bela e o Paparazzo, filme que me conseguiu iludir com um trailer minimamente apelativo. O espectáculo estava montado e todos os que querem ver e ser vistos lá apareceram, posaram para as fotografias e, passado "apenas" 45 min. depois da hora anunciada, o filme lá começou. Foi como reviver um pesadelo. Exactamente como na ante-estreia da peça de teatro, os risos soaram cronometrados e mais altos do que nunca e assim continuaram durante o filme todo. Desta vez, uma nota destoou. Em vez de me alhear completamente do filme e passar o tempo todo a tremer com cada riso estridente, acabei por lhe dedicar ainda mais atenção, ao tentar entender qual o motivo para tanta agitação. Confesso que não percebi. Os actores parecem caricaturas andantes e os diálogos são tão rebuscados que se torna difícil acreditar no que quer que seja, e muito menos rir do que quer que seja, algo que deveria ser mais do que fácil quando se trata de uma comédia romântica.
Eu bem avisei que sou opinativa.

