sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Ante-estreias e aspirinas

Eu gosto de ter opiniões fortes sobre o que me mais me interessa, e não sou daquelas pessoas que acham que os opinadores devem estar divididos por escalões e que só os grandes diplomados têm direito a dizer de sua justiça. Pelo contrário, renegar o nosso direito à opinião puramente pela falta de formação académica na área é totalmente descabido. Portanto, quando vejo uma peça de teatro, um filme, um programa televisivo, um concerto ou um desfile de moda gosto de dar a minha opinião e ser francamente crítica.

Já tinha assistido a uma ante-estreia de uma peça de teatro uma vez e foi uma experiência agonizante. A sala encheu-se de amigos deste e conhecidos daquele que riam histéricamente a cada 2 minutos e, francamente, passado meia-hora já mal sabia em que teatro estava e que peça é que estava ver. Eu sei que sou um pouco neurótica, mas não estou a exagerar.

No entanto, mal grado essa primeira experiência, decidi aceitar o convite de uma amiga e ir à ante-estreia de A Bela e o Paparazzo, filme que me conseguiu iludir com um trailer minimamente apelativo. O espectáculo estava montado e todos os que querem ver e ser vistos lá apareceram, posaram para as fotografias e, passado "apenas" 45 min. depois da hora anunciada, o filme lá começou. Foi como reviver um pesadelo. Exactamente como na ante-estreia da peça de teatro, os risos soaram cronometrados e mais altos do que nunca e assim continuaram durante o filme todo. Desta vez, uma nota destoou. Em vez de me alhear completamente do filme e passar o tempo todo a tremer com cada riso estridente, acabei por lhe dedicar ainda mais atenção, ao tentar entender qual o motivo para tanta agitação. Confesso que não percebi. Os actores parecem caricaturas andantes e os diálogos são tão rebuscados que se torna difícil acreditar no que quer que seja, e muito menos rir do que quer que seja, algo que deveria ser mais do que fácil quando se trata de uma comédia romântica.

Eu bem avisei que sou opinativa.

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010

Crónicas de uma insónia algo ensonada

Parece que não tenho sono, mas até tenho. Só me apercebo disso quando me deito, e todas as noites, momentos antes de adormecer, prometo a mim mesma que irei para a cama mais cedo no dia seguinte, pois sei que terei sono assim que me deitar. Depois, quando me levanto já tarde, ainda tenho sono pelas horas que não dormi na noite anterior e que devia ter dormido.

E agora vou-me deitar, que são mais do que horas para sonhar com aquilo que já devia ter começado a sonhar há muitos sonos atrás.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Lisboa tem dias

Hoje Lisboa estava feia, suja, cinzenta, lúgrube.

Hoje Lisboa estava triste, e eu com ela triste fiquei.

sábado, 12 de Setembro de 2009

Ontem de manhã, enquanto lavava o terraço e me encontrava de "papo para o ar", lembrei-me de algo: "E se, neste preciso momento, um satélite se encontrasse a tirar fotografias aéreas de Almada?"

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Hoje descobri o quão triste sou, quando dei por mim a recitar em voz alta inúmeras falas do Vicky Cristina Barcelona.

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

As pessoas simpáticas estão fora de moda. E construi esta premissa com base em algumas evidências:

1. quando cumprimentamos um empregado de uma loja de sorriso aberto, entre o cumprimento e a respectiva resposta decorrem alguns segundos, em que podemos ver claramente o respectivo empregado a processar a informação e a tentar responder em coordenância;

2. quando sorrimos a uma funcionária pública no início de um atendimento, notamos um ligeiro arquear nervoso das extremidades da sua boca, fruto de anos de dessensibilização social;

3. quando devolvemos a alguém um objecto que esta deixou cair para o chão, a princípio vem o olhar de confusão, depois a incredulidade, e logo a seguir o agradecimento introspectivo (geralmente de olhar no chão);

4. quando nem a criancinha de três anos a quem mostramos todos os dentes é capaz de retribuir o gesto.

terça-feira, 14 de Julho de 2009

Quicky

No café, começa a dar a maior idiotice da televisão nacional e arredores - "Morangos com Açúcar". Uma miúda corre freneticamente para se sentar e pede para se fazer silêncio que ela quer ver e ouvir a telenovela.

Passado 5 segundos, desato-me a rir, porque é virtualmente impossível fazer-se o contrário, e ela fulmina-me demoradamente, sem um pingo de compaixão nos seus pequeninos olhos. Acho que encolhi, literalmente.